quinta-feira, 3 de maio de 2012

Algumas Considerações sobre o Reajuste

Agora que o reajuste de 10% para os servidores municipais já foi aprovado na Câmara Municipal,sancionado pela prefeita e já virou Lei, posso fazer algumas considerações que julgo necessárias para esclarecer fatos e situações que maldosamente são jogados no meio do funcionalismo e da população em geral para desmerecer pessoas que estão fazendo um trabalho árduo e sério na defesa do serviço público de qualidade e na valorização do funcionalismo. 

Como todos sabem, é de praxe que todos os Municípios aleguem graves dificuldades financeiras. Parece uma cartilha e em Governador Valadares/MG, os gestores municipais governo após governo utilizam este mesmo expediente para justificar impossibilidade de reajuste. Utilizam-se ainda da Lei de Responsabilidade Fiscal, quedas de receitas e ultimamente até mesmo a crise financeira internacional.

Entretanto, antes de iniciar qualquer negociação salarial, o SINSEM/GV já há muitos anos exige da Prefeitura Municipal o envio dos demonstrativos de receitas e despesas mostrando a real situação financeira do município. Toda esta documentação é enviada para um especialista em contabilidade pública de Belo Horizonte/MG, especialmente contratado pelo SINSEM/GV e também por diversos outros sindicatos para analisar as contas da Prefeitura, especialmente sobre a folha de pagamento.

Este especialista contratado pelo SINSEM/GV por diversas vezes já conseguiu apontar alguns erros nas contas apresentadas por prefeitos anteriores da nossa cidade como João Domingos Fassarella e Bonifácio Mourão, que no fim ficou evidenciado e comprovado a possibilidade de um reajuste melhor para os servidores.

Na negociação salarial deste ano, os documentos apresentados pelo Município mostram que o Relatório de Gestão Fiscal – RGF, com a relação RCL – Receita Corrente Líquida X Gastos Com Pessoal do exercício de 2011, apresentou o seguinte resultado:  RCL de R$406.863.286,44 (quatrocentos e seis milhões oitocentos e  sessenta  e  três  reais  mil  duzentos  e  oitenta  e  seis  reais  e  quarenta  e  quatro centavos). A Despesa Total  com Pessoal apurada foi de R$200.809.045,50  (duzentos milhões  oitocentos  e  nove  mil  e  quarenta  e  cinco  reais  e  cinqüenta  centavos), representando 49,36% do  total da RCL, próximo do  limite prudencial previsto na LRF de 51,30%.

Em  análise  dos  resultados  apresentados pelo Município e ainda consultas de outros dados junto ao Tribunal de Contas,  nosso especialista contratado verificou que  na  apuração  da RCL,  a  PMGV  deduziu  corretamente  a  contribuição  descontada  do  servidor para o seu Plano de Previdência, no valor total de R$8.785.691,85 (oito milhões setecentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e noventa e um  reais e oitenta e cinco centavos), mas  não  procedeu conforme o estabelecido no art. 18 da referida Lei, pois no mínimo deveria ter sido excluído a contribuição previdenciária descontada dos servidores.

Ainda assim, com esta exclusão, a RCL X Gastos  com Pessoal passaria para aproximadamente 47,20%, o que  implica em afirmar que se mantidos os valores da RCL com reajuste orçamentário previsto, os gastos com pessoal poderiam  ainda  comportar  um  aumento  de  8,69%,  cumprindo o limite prudencial previsto no § único  do  art.  22  da  Lei de Responsabilidade Fiscal.

Resumindo, a diretoria do SINSEM/GV foi para mesa de negociação com a Administração Municipal com estudo sério que apontava que o limite máximo de reajuste do Município para os servidores seria de 8,69% no máximo, sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, demissões em massa e respeitando o quadro atual de receitas e despesas. 

A proposta inicial da Administração Municipal de oferecer 6,5% de reajuste salarial em duas parcelas foi prontamente recusada pela diretoria do SINSEM/GV, uma vez que sabíamos que seria possível um reajuste melhor. À medida que as negociações avançavam, crescia a expectativa da categoria e a responsabilidade do sindicato. A Administração Municipal avançou um pouco mais e ofereceu 8% em duas parcelas que também foram recusados pela diretoria do sindicato.

No ultimo e decisivo dia de negociação salarial, ofereceram 9% em duas parcelas também recusadas e proposta final com reajuste de 10% (dez por cento) divididos em duas parcelas: 6% (seis por cento) a partir de 1º março e 4% (quatro por cento) a partir de 1º de agosto, que foi a acordada pelo sindicato e aprovada por unanimidade pela categoria em Assembleia Geral Extraordinária.

Obviamente que este estudo contratado pelo SINSEM/GV ficou guardado a sete chaves com acesso restrito aos diretores negociadores e que só agora estamos publicando para que o servidor(a) e demais interessados tomem conhecimento da complexidade de uma negociação salarial e da importância de preparação e conhecimento sobre administração, política,finanças, legislação, contabilidade pública e outros.

O percentual oferecido pelo município de 10% não foi muito, é verdade, mas foi superior ao que era apontado através de nossos estudos. Este reajuste ainda é muito pouco diante das perdas que estamos acumulando ao longo dos anos, pois o especialista está fazendo um estudo apontando que para  recompor  os  nossos salários  aos  níveis  de  01/05/95, utilizando o índice de reajuste mais conservador possível, seria necessário a aplicação de um reajuste superior 55%, isto mesmo: 55% (cinqüenta e cinco por cento) de reajuste linear, com exceções de algumas carreiras como médico e engenheiros. 

Aliás, é bom ressaltar que no projeto de lei enviado pelo Executivo e aprovado por unanimidade pelos vereadores, o reajuste de 10% NÃO SERÁ APLICADO PARA MÉDICOS  E ENGENHEIROS, uma vez que a lei aprovada exclui o reajuste para os cargos e funções que tiveram pisos salariais revistos nos últimos 03(três) anos.

Por fim, reafirmo que temos que continuar lutando para novas conquistas, principalmente na revisão imediata da nossa tabela salarial e do Plano de Carreira, Cargos e Salários, que ainda é a maneira mais correta de corrigir as graves distorções dos nossos defasados salários.

E o servidor e servidora sabe que podem confiar na diretoria do SINSEM/GV. Somos seguidores de um sindicalismo autônomo e combativo Sempre lutamos com seriedade e coragem por tudo aquilo em que acreditamos. Esta é a marca do sindicato. Claro que não conseguimos agradar a todos, mas a grande maioria reconhece o trabalho árduo e sério do sindicato. 

Continuem apoiando fortalecendo o sindicato. Somente a LUTA traz conquistas.
Se você conseguiu ler estas minhas reflexões até aqui, Parabéns.  Isto é um sinal que você também está consciente que as mudanças mais profundas começam com um simples gesto. Começa pela gente.  

Vamos lutar com seriedade e coragem por tudo aquilo em que acreditamos.
VAMOS TODOS JUNTOS!

Nenhum comentário:

Postar um comentário